quinta-feira, 5 de julho de 2012

EDUCAÇÃO INCLUSIVA: O DESAFIO DE APRENDER E COMPARTILHAR EM MEIO ÀS DIFERENÇAS

O ambiente Escolar, considerado a primeira experiência efetiva de interação e convivência humana, constitui-se, na maioria dos casos, como a extensão do próprio lar. Uma construção que possibilita a capacidade de entender e reconhecer o outro, além do privilégio de aprender e compartilhar com pessoas diferentes.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 10% da população mundial têm necessidades especiais. No Brasil, estima-se que 18 milhões de pessoas integrem essa porcentagem. De acordo com a Secretaria de Educação de Pernambuco, cerca de 8.500 Alunos portadores de algum tipo de deficiência estão matriculados em unidades educacionais espalhadas por todas as regiões do Estado.

A missão de ensinar crianças e jovens com necessidades educacionais especiais ainda é um grande desafio. Nos últimos dez anos, período em que a inclusão se tornou realidade, a Escola e todo o seu corpo profissional vêm aprendendo na prática e sob muita dificuldade como se adequar a este processo.
"A nossa proposta é unir, trabalhar com uma metodologia inclusiva, acompanhando o desenvolvimento destes Alunos especiais, hoje inseridos na Educação regular”, afirma Albanize Cardoso, gerente de políticas de Educação especial. Para a gestora, a estratégia atual baseia-se no incentivo à autonomia e ao aumento da autoestima para toda a vida.

O Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2001 pela Lei 10.172, destaca que a oferta de Educação especial pode ser realizada de três formas: participação nas classes comuns, sala especial e ainda em Escola específica. A proposta visa o acolhimento igualitário de pessoas com cegueira, surdez, deficiência física, mental, transtornos degenerativos, entre outros casos e especificidades.

Albanize Cardoso ressalta ainda que a recomendação do Ministério da Educação para esta unificação é vista como positiva. "Buscamos a criação de um espaço adequado a cada necessidade, disponibilizando um material didático apropriado, oferecendo cursos, espaços multifuncionais, transcrevendo textos em braile e capacitando nossas equipes. A proposta pedagógica precisa buscar alternativas que possibilitem preparar estas pessoas para exercer sua cidadania com dignidade”, sintetiza a gestora.

O jovem Eduardo Carlos, 19 anos, é Aluno do primeiro ano do Ensino Médio na Escola Governador Barbosa Lima (EGBL), localizada no bairro do Derby, área central do Recife. Surdo e mudo, ele encontrou na aprendizagem da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) a oportunidade de interagir com o universo ao seu redor. Contando com a ajuda do Professor intérprete Fernando Vilarim, um dos profissionais que atuam na unidade, o sorridente rapaz descreveu um pouco da sua experiência. "Acho muito importante esta oportunidade de estudarmos todos juntos e a Escola nos oferecer esta estrutura. Às vezes sinto um pouco de dificuldade na questão da interação, mas, no geral, vejo que vale muito a pena. Aprendo bem, faço amizades e consigo obter boas notas”, assegura Eduardo.

Segundo a diretora-adjunta da EGBL, Fábia Fragoso, atualmente a instituição conta com 300 Alunos surdos, divididos entre as turmas do Ensino infantil, Fundamental e Médio, nos três turnos de funcionamento. Além de um quantitativo menor de Alunos inseridos em outros quadros deficitários, como cegos e portadores de transtornos mentais. "Nas séries iniciais, compreendendo o ciclo que vai da pré-Escola até a quarta, os Alunos ainda não participam da inclusão. Neste primeiro momento, nos concentramos em oferecer às crianças o primeiro contato com a comunicação, capacitando-os para o processo seguinte”, esclarece Fábia.

http://www.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/home/index.html

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